Pesquisar no Blog do Sabbatini

sábado, 3 de abril de 2010

Outras esferas policiais: Governo tenta acordo sobre a PEC dos Policiais e bombeiros militares com Frente Parlamentar


Quando a Frente Parlamentar em Defesa de Policiais e Bombeiros Militares (Fremil) cantou vitória com a aprovação do texto da PEC dos Policiais, antes mesmo de votarem os destaques feitos à emenda, já era  possível perceber as movimentações dos líderes alinhados ao Planalto.




Dali para a frente, o cenário só piorou. Agora, na iminência de uma terceira marcha a favor da emenda, o governo decide retomar o diálogo  e tentar resolver as divergências.

Os holofotes da mídia, anestesiados pela cobertura da disputa na distribuição dos royalties do petróleo, há tempos vem deixando passar  despercebida a repercussão da briga pela aprovação do piso na Casa.


O ambiente em fervura atrai a atenção pelo uso recorrente de manobras  ousadas. Ambos os lados se encastelaram diante de uma situação cada  vez mais aguda. Como sintoma do impasse, nenhuma voz se levantou a  favor da conciliação. Pelo contrário, sobraram reações radicais entre a Fremil e os líderes governistas.
Até o final desta semana, a disputa favorecia o governo. A votação das  Propostas de Emenda à Constituição (PECs) estavam suspensas, em acordo  de líderes, sem qualquer possibilidade de discuti-la  antes de  abril. Enquanto isso, os deputados pró-PEC preocupavam-se em  reorganizar as forças internas do movimento durante esse intervalo,  chamado por eles de “intervenção branca”, para cercar o governo no  término do prazo. 

A Fremil completou esse caminho nesta semana, que culminou com a  indicação de paralisação nacional e a proliferação de outdoors pelos estados alegando bloqueio da votação.

O retorno  foi  costurado na assembléia realizada dentro da própria Câmara dos  Deputados. A decisão ecoou por toda a Casa. Os deputados pró-PEC ameaçam obstruir a pauta na próxima semana, caso a votação ainda esteja ameaçada. 

A reunião rendeu frutos antes do esperado. Na manhã dessa quinta-feira (25), o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), chamou a Fremil para conversar. O diálogo pode não ter resultado em nenhum acordo, mas é a primeira vez que os dois lados sentam para conversar.

Segundo o deputado Capitão Assunção (PSB-ES), o petista vai levar as informações da reunião ao presidente Luís Inácio Lula da Silva. O líder também quis discutir a proposta de implementação gradual do piso e reforçou o desejo de omitir o valor nominal na Constituição. 

A  resposta não foi favorável. “Mostramos nosso ponto de vista de manter o valor do piso na Constituição. Nosso pleito é dar continuidade à votação. Não queremos barganhar”, encerrou o socialista.

O deputado capixaba acredita que o governo tomou essa iniciativa de negociar agora por considerar a situação irreversível no Senado. “Lá (Senado) é desfavorável a eles. Neste ano serão renovados dois terços das vagas”.

A partir dessa quinta, os lados parecem mudar de vez a forma como estavam lidando entre eles. O silêncio foi quebrado, e novas reuniões estão marcadas para o início da próxima semana. Uma delas será com o ministro da Justiça. Ele foi o primeiro a acenar com a proposta de implementação gradual do piso.

O que existe é preocupação: o custo do piso salarial para os policiais civis, policiais e bombeiros militares representa pelo menos R$ 10 bilhões, considerando a menor estimativa. O governo está atento a esses números e sabe que existem outras matérias em tramitação na Casa com extensão de benefícios a servidores públicos.



Fonte: Século Diário
Reportagem: Frederico Carneiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário