A Respeito de carater, ética e bom senso, gostei muito da forte base apartidária da réplica do Cel. Martins. Liderança honesta se faz assim sem politicagem.
Segue o texto publicado do cmt-geral na íntegra:
Prezados e Prezadas,
Desde que me propus a manter um canal entre o comando e os integrantes da nossa corporação, recebi muitos conselhos e avisos sobre os riscos e aborrecimentos que a medida poderia trazer. Resolvi arriscar e não me arrependo.
Descobri ao longo do tempo que, ao contrário, este canal tem permitido ao comando a voz que faltou para outros comandantes, para esclarecer sobre processos decisórios e o que se passa nos bastidores, principalmente.
Aprendi que com educação, polidez, sinceridade e honestidade de propósitos posso falar sobre tudo. Ouso a pensar que nossa mensagem tem chegado aonde jamais chegaria antes. Fiquei mais tolerante às críticas o que não significa inércia ou covardia.
Vez por outra precisamos colocar os pingos nos is. Por conta da minha índole, não suporto mentiras e meias-verdades, assim como tentativas de manipulação de informações. Não tenho me calado diante de nada nem de ninguém.
Assim fiz em relação ao problema dos lotes do Gama, aos diversos assuntos espinhosos que se apresentaram até então, à maledicência de jornalista oportunista, enfim, à quase tudo que se apresenta como necessário à ação do comando. Tenho defendido valores que acredito, no interesse institucional de prestar a cada dia melhores serviços à sociedade a quem devemos servir.
Assumir este papel tem nos trazido muitas vitórias e alguns problemas. Decidir tem este ônus. Vez por outra surgem comentários que estão pedindo ao Governador o cargo de Comandante Geral da PMDF, no intuito de aqui colocarem alguém que possam manipular. Ao final, fofocas em torno da eterna derrubada do Comandante da vez. Honestamente não tenho tempo para me preocupar com isso. Procuro manter meus pés no chão e meus pensamentos no céu. Vamos ver até onde chegamos, porque é certo que algum dia serei destituído do cargo. A questão é somente precisar este dia!
Ao que me consta, temos gozado da confiança do Governador, e estou absolutamente tranqüilo exercendo minhas funções e levando adiante os projetos da corporação, que Graças ao Bom Deus, não tem sofrido interferências indesejadas. Não me prestaria a esse papel de marionete.
Porém, é verdade que acontece de tudo nesse jogo de poder. Por exemplo, há pessoas de toda espécie querendo mobiliar cargos na PMDF na busca de introduzir seus aliados na estrutura da corporação, simplesmente com fins eleitoreiros. Temos conseguido neutralizar essas ações. Se isso vier a ocorrer, o que não acredito, não tenham dúvidas, darei nomes aos bois e as verdadeiras razões. Muito lobo por aí em pele de cordeiro.
No que tange ao plano de reajuste salarial, desde o início procurei incluir o comando na mesa de negociações. Conseguimos. Estabelecemos parcerias com TODAS as associações e políticos. Até mesmo com a Polícia Civil. Isso proporcionou um consenso inimaginável tempos atrás. Antigos opositores tornaram-se parceiros em um mesmo projeto.
Construído o consenso com a presença do Governador, Comandantes Militares, Diretor da Polícia Civil, representantes das diversas associações, coordenador do fórum das associações, dos Deputados Federais Alberto Fraga e Laerte Bessa e dos Deputados Distritais Aílton Gomes e Patrício, foi então elaborada a proposta única de reajuste de toda área de segurança do DF, que foi remetida à Presidência da República. Repito: todos estiveram de acordo a proposta de reajuste de 5% para 2010 e de quatro vezes 7% para 2011 e 2012.
É fato que a medida do DF causou certo embaraço ao Governo Federal, não por conta de problemas de ordem econômica relacionados ao Fundo Constitucional, nem da Lei de Responsabilidade Fiscal, questões amplamente debatidas e superadas nas esferas técnicas do GDF e assimiladas pelas Secretarias do Planejamento e Fazenda do DF, mas por conta dos reflexos de demandas federais relacionadas à Polícia Federal que também quer ser atendida, assim como dos militares dos ex-territórios, situação agravada pela questão de PEC 300 também.
A estratégia do Governo Federal, pelo que se depreende, tem sido de protelar a decisão, empurrando para o calendário eleitoral a inviabilidade do projeto do DF, já que as normas eleitorais não permitem reajustes após o dia 03 de julho de 2010, perdurando até o início do próximo ano.
Aí, surgem as dificuldades relacionadas com a tramitação do projeto. De fato ninguém quer assumir a responsabilidade pela autoria antipática de negar pleito em ano eleitoral.
No dia 24 de maio recente, foi realizada nova reunião dos atores do consenso, desta feita com o Governador Rogério Rosso em sua residência particular, a fim de inteirá-lo do andamento do projeto e solicitar-lhe ação no processo.
O Governador hipotecou seu apoio às medidas adotadas pelo então Governador Wilson Lima, entendeu o procedimento adotado e já contatou imediatamente o Secretário Particular do Presidente Lula, Gilberto Carvalho, no sentido de obter uma definição para o caso. Ficou acertada uma reunião com a esfera federal, começando pelo Ministro Paulo Bernardo do MPOG, que deverá ocorrer no dia 01º de junho próximo, conforme me informou hoje o próprio Governador, durante a cerimônia da Medalha Tiradentes, com a presença dos Comandantes Militares, do coordenador do fórum das associações, Secretário de Segurança e Diretor da Polícia Civil.
Portanto, nada está decidido, mas continuamos buscando no plano institucional as medidas eficazes que nos levem a definição do pleito. Certamente não será fácil.
A Polícia Civil, por conta de sua condição que lhe permite a realização de greve, deliberou nesse sentido. Não nos cabe juízo de valor sobre isso, mas entendo que a ação também contribui para que nosso pleito possa ser atendido. Portanto, mesmo não sendo uma questão nossa, devemos entender que o movimento também nos alcança. Nesse processo as instituições são parceiras.
Ocorre, que aparece agora divulgação do Deputado Patrício, querendo fomentar cizânia no seio das corporações, alegando que praças da PMDF e do CBMDF teriam ficado de fora do plano. Alegação, aliás, que não possui o menor fundamento, uma vez que os percentuais de reajuste foram os mesmos para todas as instituições e seus quadros.
Ademais, tão pouco se tratou de um processo elaborado pelo Comando da PMDF simplesmente, como de modo distorcido informou, para não ser mais contundente. A proposta apresentada é o resultado da construção do consenso entre as entidades de representação e instituições.
Talvez o parlamentar não esteja acostumado a decisões de consenso e com a participação legítima do comando das instituições.
O que não é possível é sair por aí fazendo bravatas, acusando pessoas e instituições e não receber de volta contestação a seus argumentos.
O fato é que não conheço na legislatura do parlamentar nenhum projeto ou anteprojeto relacionado com a questão do escalonamento de remuneração dos militares do DF que tanto anda propagando somente agora, tão pouco proposta para plano de cargos e salários e outros temas de interesse dos militares.
O que tenho presenciado é sempre sua voz destoante contra tudo que se busca como avanço nos projetos apresentados pelos outros.
Sinceramente, entendo que tenho ótimas relações pessoais com o Deputado Patrício, que sempre me tratou com respeito e consideração como também acredito que sempre lhe dispensei o mesmo tratamento. Agora, permita-me também fazer minhas reflexões.
Entendo que esse papel de querer melar o acordo feito lá no início, parece fazer parte da estratégia a serviço do Governo Federal para sepultar qualquer projeto de reajuste do DF na área de segurança. E o pior, com a desfaçatez de querer atribuir tais conseqüências ao governo local, e neste momento, ao Governador Rogério Rosso, que de fato pegou o bonde andando e tenta mantê-lo nos trilhos.
Diante de tudo parecem-me coerentes as seguintes conclusões:
1- Acordo com o Deputado Patrício não tem validade, porque a qualquer momento, de parceiro ele pode mudar de idéia e vai fazer de escada as pessoas, para seus interesses eleitorais.
2- Tem gente que para se estabelecer no processo político só tem uma estratégia: fomentar conflito de classes para empunhar a bandeira dos “desvalidos”, o que só vale até as eleições. Depois disso silêncio até o próximo processo eleitoral. Cá entre nós esse papo já está muito manjado! Nossos interesses são cada vez mais comuns e emergentes e a ação articulada nos une, porque nossa divisão somente interessa a quem nos quer fracos e dependentes. Conduzir pessoas cegas por convicções irracionais é fácil, difícil é liderar homens livres e conscientes!
3- Tem também aqueles conhecidos surfistas de oportunidades que vivem pegando carona na onda dos outros. Foi assim no Plano de Carreira, no Projeto Policial do Futuro e está sendo assim no Projeto do Código de Ética e Disciplina. Tais iniciativas são da instituição, e estão querendo posar de pai de filho belo. Dizem que fizeram isso e aquilo, quando na verdade não fizeram nada efetivamente para resolver o problema. Depois do leão morto o sujeito aparece para tirar foto e dizer que foi o caçador ou para reclamar que o leão era pequeno. A quem pensam que estão enganando? A mim certamente que não.
4- Por trás de muito discurso eloqüente se escondem interesses escusos. Lembremo-nos que muitos estão querendo somente o nosso voto. Criam dificuldades para venderem facilidades.
5- Os obstáculos a serem transpostos neste momento estão, sem qualquer dúvida, na esfera federal e não aqui no DF. As dificuldades e argumentos interpostos pelo técnicos federais são até entendíveis, mas não podem inviabilizar os legítimos avanços de nossa corporação. Essa coisa do Fundo Constitucional com a União está parecendo o caso do ex-marido que quer controlar os gastos cobertos com a pensão que paga a ex-mulher. Fica demasiado.
6- Por falta de assunto começaram agora a comparar marcas e tipos de viaturas para recrudescer rivalidades corporativas. Francamente está faltando criatividade. Em breve postarei sobre todo o processo decisório que envolveu a compra das viaturas na corporação. Certamente que fatores como a mais bonitinha e a comparação com a Polícia Civil não foram decisivos. Já entendi de onde vieram e a serviço de quem os comentários do blog sobre viaturas. De qualquer modo, o processo da compra no Departamento de Logística e Finanças está à disposição de todos os policiais militares, assim como de qualquer cidadão, para consulta e conclusões ulteriores. Malhar sem conhecimento de causa fica feio. E olha que a decisão sobre esta compra não fui eu quem prolatou! Mas não vamos tergiversar, o tema hoje é reajuste.
7- Sinceramente, tenho encontrado mais apoio nas associações do fórum e até no Sindicato dos Policiais Civis do que em quem julgava representar interesses corporativos. Não me decepciono mais. Acho que estou ficando calejado.
Boa Noite a todos,
Fraternal abraço,
Cel Martins
Comandante-Geral.
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